"Poesia Social"

Poesia social, poesia de intervenção ou poesia comprometida – como queiram chamar-lhe – é o que os alunos do 8ºA e 8ºC quiseram experimentar. De qualquer forma, um olhar crítico sobre a realidade, por vezes com a vontade de intervir nela.
Serão invisíveis, cegos…
Fome, doença, miséria, tristeza…
Talvez roubem mais que
essa meia dúzia de vagabundos que para aí andam
- Idiotas?
- Não!
- Parvos?
- Também não!
- E então orgulhosos?
- Não sei!
Metem o dinheiro ao bolso
no final do mês,
e nem uma migalha
do quer que seja
são capazes de dar,
para tapar meio buraco
- Já sei…
- Então?
- Agora falaste, esqueci-me.
Catarina Bicho 8ºA
***
Vi-o,
Será que ele me viu enquanto olhava?
Ou se perguntou o porquê de olhar?
Espero que não.
Quis ajudar mas
Nem toda a gente gosta de ser ajudada
Penso no que fazer,
Mas
Será que ele gostará?
Serei a única a querer ajudar?
Ou estas pessoas à minha volta não o veem?
Ou também estão com medo de ajudar?
Penso,
No porquê de estar ali, sem vida?
Não que esteja morto,
Mas
Sem nada para fazer ou dizer
Vi-o,
Mas não foi só ele que vi,
Vejo todos
Mas não imagino como será.
Patrícia Dias, 8ºA
***
Nisto fico
Nisto permaneço
Lutando por mim
Lutando pelos outros
Nesta guerra
Conta tudo
João Calado 8ºA
CONTRASTE SOCIAL
Quem sois vós?!
Que vestem a rigor
Belas moradias
Carros de valor
Luxos e regalias
O rosto de cada dia
O suspiro de casa alvorada
Vós não sois nada
Na mão amargurada
Do povo escorraçado,
Humilhado,
Vagueando pelas ruas
Nuas e cruas
Pobres e escuras.
Assim é Portugal
Do grito de independência
Sedento de vingança
Com fome de viver
E sede de liberdade.
Porquê tanto mal
Neste mundo imoral?
Porquê tanta calamidade
E tanta infelicidade?
E quem trabalha?
Labuta durante o dia,
A família espera e desespera
Porque não tem que comer
Nem como sobreviver.
Quem lidera
Devia pensar
Na vida melhorar
Porque no fundo,
No fundo,
A juventude
É o futuro do Mundo!
Helena Quina
Nº10
8ºC